Surgem vestígios de Vila Conceição do Buraco em Guassussê

Em uma faixa de terra descoberta, aparece o antigo Sítio Umarizinho, onde funcionava uma casa de farinha da família do agricultor Jacinto Neto Rodrigues.

Orós. Recentemente, um grupo de moradores da sede do distrito de Guassussê visitou, pela primeira vez, as ruínas da antiga Vila Conceição do Buraco, em excursão organizada pela ONG Realeza Nordestina, por meio do projeto Escola Livre de Artes (ELA), que promove ações culturais na zona rural do Município. “Queremos promover o resgate ao patrimônio cultural, imaterial e histórico. Estamos elaborando um documentário sobre a antiga vila, a história das famílias que foram expulsas de suas terras”, diz o coordenador, Édson Cândido.

A antiga Vila Conceição do Buraco – cujo nome é uma referência a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira da localidade, e à situação geográfica, às margens do Rio Jaguaribe, em uma depressão -, foi encoberta pelas águas do Orós em 1960. Para ter acesso às ruínas, que começam ressurgir, só de barco ou rabeta, uma espécie de canoa motorizada, de menor porte. O percurso, de 30 minutos, revela um açude que está secando.

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Em uma faixa de terra descoberta, aparece o antigo Sítio Umarizinho, onde funcionava uma casa de farinha da família do agricultor Jacinto Neto Rodrigues. Pouca coisa sobrou: alguns tijolos, telhas, um caco de pote e madeiras encharcadas.

Para o produtor rural, são relíquias de uma parte da história da família dele que a água não conseguiu apagar da memória de sua gente. “Estou lembrando de muitas coisas, parece um filme passando em minha mente”, diz.

Além da casa de farinha, Rodrigues recorda do depósito de milho, das roças e das vazantes. Apesar de estarem ainda encobertas por um pouco de água, as ruínas da antiga capela são localizadas. Segundo os moradores, a igrejinha foi bem construída e era uma das poucas edificações em alvenaria.

O agricultor Francisco Rodrigues, 81, ficou de pé sobre uma das paredes. “Eu jamais imaginei voltar nesse lugar, onde nasci. Nessa igreja fui batizado, fiz a primeira comunhão e me casei”, conta o aposentado Francisco Matias.

Eva Gomes, 88, foi a primeira professora da antiga Conceição do Buraco. Na visita, levou uma fotografia do tempo em que ensinava. “É uma das últimas lembranças que guardo. Era uma vila alegre, todos se conheciam”, recorda.

Fonte: Diário do Nordeste

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