Pesquisas vão estudar evaporação nos açudes

O estudo é necessário porque não se sabe qual a perda de água nos açudes por incidência de raios solares

Iguatu. Três instituições – Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Leipzig (Alemanha) e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) – vão firmar parceria para o estudo da evaporação nos reservatórios cearenses. A pesquisa ainda depende de financiamento, mas mostra-se necessária porque não se sabe exatamente qual a perda de água nos açudes por incidência dos raios solares.

“Os métodos atuais não são confiáveis e isso é global, não apenas no Ceará”, explica o professor José Carlos Araújo, do Departamento de Engenharia Agrícola da UFC. “Existe uma estimativa, mas não sabemos o real e isso tem muita importância para nós, que dependemos da água acumulada nos reservatórios”.

Recentemente, uma comitiva formada por professores da UFC, Universidade de Leipzig e Cogerh conheceu açudes do Sistema Metropolitano (Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião) e a Sala de Monitoramento da Cogerh. A visita fez parte dos primeiros entendimentos entre as três instituições, para firmar parceria para o estudo da evaporação nos reservatórios cearenses.

O atual ciclo de seca, que já perdura por seis anos, a escassez de água para a produção e até abastecimento humano e animal exigem conhecimento mais preciso do efeito da evaporação na perda de água. “Existem hoje demandas para que se conheça melhor o fenômeno evaporação e é muito difícil separar, num grande açude o que é infiltração, uso e evaporação”, pontuou José Carlos Araújo.

O presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, disse que o maior usuário de água é o Sol. “Com esses estudos, pretendemos chegar mais próximos da realidade e, com isso, aperfeiçoar ainda mais a gestão de águas”, avalia.

O professor José Carlos Araújo frisou que a Universidade de Leipzig tem experiência no uso de equipamentos para aferição de evaporação. “Eles têm uma competência muito maior do que a brasileira na parte de instrumentação, de equipamentos”, disse. O professor Armin Raabe, do Leipzig Institute of Meteorology (LIM), foi enfático: “Podemos desenvolver um grande trabalho de parceria”.

Ainda segundo Araújo, os próximos passos compreendem a materialização do projeto. “Estamos começando, precisamos de financiamento que devem vir da Comunidade Econômica Europeia, do governo do Ceará, Alemanha e Suécia”, disse. “A nossa esperança é que vai dar certo”.

De acordo com ele, a concepção geral do projeto está pronta e há definição de alguns pontos com a Cogerh em andamento e, uma vez conhecido o volume de recursos captados para o projeto, será decidida a quantidade de reservatórios a serem estudados por um período de três anos.

Qual a perda por evaporação em açudes de porte grande como Castanhão e Orós? “Não sabemos exatamente”, reafirma o professor José Carlos Araújo. “Não conseguimos separar o que se perde por liberação (usos), infiltração no solo e por evaporação. O que conhecemos até agora é chute, é uma incerteza”. No Ceará, estima-se um índice de evaporação médio de 2.000mm por ano.

Estima-se que, no Lago de Sobradinho, que barra o Rio São Francisco, a evaporação seria de 300 m³/s. O que está autorizado para toda a transposição das águas do Velho Chico é de apenas 26m³/s. “Um erro de dez por cento significa uma transposição, daí a importância de se conhecer esses índices mais corretamente”, afirma. (Por DN)

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