Médico é preso por manter mulher em cárcere privado

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) foi acionada, invadiu o apartamento e liberou a vítima de 40 anos

Gritos de socorro vindos do interior de um apartamento, no bairro Meireles, acompanhados de agressões físicas e pressão psicológica. Foi assim que, segundo a Polícia, uma auxiliar de laboratório, 40 anos, conseguiu denunciar aos vizinhos, na noite da última terça-feira (28), a violência praticada pelo companheiro. A vítima estava mantida em cárcere privado há cerca de 48 horas pelo médico Pablo Pena Pinto, 43, preso em flagrante na quarta-feira (29) depois que a Polícia Civil foi acionada pelos moradores do condomínio onde mora o agressor.

“Fui acionada por vizinhos da vítima dizendo que desde a terça-feira, à noite, escutavam gritos no apartamento, como se houvesse uma briga entre um casal, escutavam pancadas, coisas quebrando e caindo no chão e pedidos de socorro”, afirma a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Érika Moura.

No dia seguinte, pela manhã, as supostas cenas de violência continuaram e o desespero da mulher parecia aumentar. Dentre as poucas palavras verbalizadas em voz alta, ela alertava que estava trancada, proibida de sair, e que os moradores chamassem o síndico e a Polícia.

Equipes da DDM estiveram no local, mas ao chegarem não foram autorizados a entrar no imóvel. A mãe do agressor, uma idosa de 83 anos, que não recebeu os policiais, chegou a afirmar que, além dela, não havia ninguém no local, na tentativa de evitar a prisão do filho.

Banheiro

“Em determinado momento pela janela do banheiro que dava acesso ao corredor do condomínio, ela falou com a gente. Ela, dentro do banheiro, informando que estava sozinha, dizendo que o filho tinha saído com a companheira. A gente pediu para ela abrir a porta e ela dizia que estava trancada em casa, que não tinha a chave, que estava recém-operada, que era uma senhora”, relatou a delegada Érika Moura.

Contudo, enquanto a delegada conversava com a mãe de Pablo Pena, policiais foram à garagem do condomínio conferir se o automóvel do suspeito encontrava-se estacionado. Uma testemunha chegou a informar que o médico não havia saído do apartamento, o que facilitou a identificação do veículo.

Diante da informação e da negativa de acesso, os policiais decidiram invadir o imóvel. “Nós abrimos a porta e a senhora se assustou, impedindo a nossa entrada. Ela ficou na frente da porta do quarto do casal. Quando os policiais tentaram abrir, viram que a porta estava fechada por dentro. Nós nos identificamos, pedindo que ele abrisse a porta e ele não abriu. Quando arrombamos, a companheira saiu correndo do quarto assustada”, detalha a delegada.

Abordagem

No momento da prisão, conforme a Polícia, o agressor estava sob efeito de entorpecentes. Ele negou as acusações de violência, alegando que não aceitava o término do relacionamento. Segundo a delegada Érika Moura, a vítima informou que o casal já estava separado há oito dias, e desde então, as ameaças de morte praticadas pelo médico eram constantes.

“Eles se conheceram em janeiro e desde o início foi muito violento e abusivo. Ela disse que diversas vezes foi espancada, tinha relações sexuais à força com ele, tinha cicatrizes de lesões, disse que ele é usuário de drogas, fazia oito dias que tinham terminado o relacionamento”. Com os indícios, Pablo Pena Pinto, que já possuía antecedentes por porte ilegal de arma de fogo, direção perigosa e sequestro, foi autuado por cárcere privado, lesão corporal, injúria e ameaça. A vítima será acompanhada pelo Centro de Referência da Mulher. (fonte: DN)

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