Desmatamento atinge as dunas do Litoral Oeste

Estudo aponta, no Nordeste, crescente diminuição da área vegetal pertencente ao bioma

Itarema. O Estado do Ceará apresentou, na lista nacional dos municípios que mais desmataram suas áreas de Mata Atlântica e ecossistemas associados, entre os anos de 2015 e 2016, 17 das suas 184 cidades. Trairi, no Litoral Oeste, se destaca com a eliminação de 325 hectares de vegetação nativa.

Na sequência, estão Itarema (188ha), também no Litoral Oeste; e Aquiraz (103ha), na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Os municípios de Cruz (64ha), Acaraú (20ha) e Amontada (18ha), todos no Litoral Oeste, também estão na lista. Todas são áreas de restinga (vegetação de dunas).

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A lista aponta, no entanto, os estados da Bahia e Piauí como os destaques do Nordeste, com 30 e 7 municípios, respectivamente, no ranking dos com maior supressão de mata nativa. O levantamento foi realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que lançam, neste mês, o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica 2017.

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Redução

Hoje, com 6.605 hectares, o que representa apenas 9,17% da Mata Atlântica original, Itarema sofre a falta de políticas públicas para minimizar os impactos causados pela crescente degradação de sua vegetação.

Tendo como principais fontes de renda a pesca, o extrativismo (carnaúba e coco) e o contracheque do funcionalismo público, 70% dos habitantes vivem na zona rural, com faixas de terra que englobam formações naturais como mangue (1.152 ha), restingas (4.632 ha) e dunas (548 ha).

Segundo Valda da Costa, coordenadora de Meio Ambiente da Secretaria de Turismo, Meio Ambiente e Pesca do Município, além das dificuldades de logística, as queimadas têm anulado as ações propostas para mudar essa dura realidade.

Os focos, que fogem do controle durante a limpeza dos roçados, e se tornam incêndios, seriam os responsáveis diretos pela diminuição gradativa das áreas de Mata Atlântica no Município, segundo ela, que aponta como problema, também, a sucessiva troca de gestores da pasta da qual ela faz parte.

“Ainda não conseguimos montar uma equipe integrada a outras secretarias que possa executar um programa direcionado a minimizar o impacto negativo das constantes queimadas, utilizadas no preparo do solo pelos agricultores. Não temos uma brigada contra incêndio, muito menos efetivo suficiente, que se dedique a monitorar essas áreas, mesmo com a realização de campanhas de conscientização”, alerta a coordenadora.

Ameaça

Segundo Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, é lamentável que os municípios do Nordeste ainda permitam o desmatamento. “A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País. Restam somente 12,4% da área original. Um total de 72% da população brasileira vive na Mata Atlântica, assim como mais da metade dos animais ameaçados de extinção do Brasil.

Durante a pesquisa, identificamos, por meio de satélite, que as queimadas estão entre as ações mais comuns quando se fala em degradação desse bioma, além do avanço sistemático do desmatamento não autorizado, pelas ocupações irregulares ou avanço da agropecuária. O trabalho alerta para essas e outras situações”, afirma.

Ações

Segundo o coordenador de Biodiversidade da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Leonardo Borralho, o governo do Estado vem buscando estratégias para garantir a preservação desse bioma, sendo uma delas a implementação dos Planos Municipais da Mata Atlântica (PMMA). “Em junho de 2015, foi assinado o Termo de Cooperação Técnica entre a Sema, a Fundação SOS Mata Atlântica e representantes dos municípios de Pacoti, Guaramiranga, Palmácia, Redenção, Mulungu e Aratuba.

O objetivo é promover a troca de conhecimentos técnicos e informações para auxiliar na elaboração e implantação do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica nos municípios da APA da Serra de Baturité, unidade de conservação administrada pela Sema”, afirmou.

Ainda segundo ele, em 2016, foi instituindo o Programa de Valorização das Espécies Nativas no Estado do Ceará, e o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica está em processo de reestruturação.

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