Crianças com câncer ganham perucas e autoestima

Lia Geovana, paciente da Associação Peter Pan, a capacidade de utilizar as mãos para tocar novamente nos próprios pelos e improvisar um penteado, conforme bel-prazer, significou mais que um cuidado estético.

Subjetivamente falando, o cabelo é a moldura do rosto. O deslizar dos dedos em meios aos emaranhado de fios, que banham o nosso crânio, pode simbolizar a recordação de sentimentos prazerosos. No caso de Lia Geovana, paciente da Associação Peter Pan, a capacidade de utilizar as mãos para tocar novamente nos próprios pelos e improvisar um penteado, conforme bel-prazer, significou mais que um cuidado estético.Finalmente, a garota de oito anos renovou forças para continuar com uma autoestima praticamente inabalável, essencial ao longo dos seis meses de tratamento contra o câncer. “Eu gostei muito, vou até mostrar no meu canal do Youtube”, orgulhou-se.

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Depois da manhã de ontem (5), outras dezenas de crianças – assim como Lia – saíram da unidade com um novo visual e com um sorriso largamente estampado no rosto. O especialista em fios Luiz Crispim realizou a doação de cinquenta perucas de cabelos naturais para crianças que estão tratamento contra a doença. Esta é a terceira vez que o paulista vem até o Ceará, tendo realizado outras duas doações de 20 e 30 perucas, em 2015 e 2016, respectivamente.

Luiz aponta que, ao chegar no Estado, as doações já estavam sendo realizadas para a Associação, mas que não havia mão de obra para confeccionar, realizar os cortes e a finalização dos acessórios. Ciente da necessidade, o profissional criou o projeto Confio. Ele aliou-se com outros profissionais do Ceará e deu continuidade às ações. “O mais importante disso tudo é que o nosso trabalho é a mão de obra, mas quem doou o cabelo foi o povo cearense”, ressalta Luiz.

Trabalho

O trabalho da equipe é feito de acordo com os conceitos de visagismo – ao chegar no local, a criança escolhe uma peruca. Após essa fase, os profissionais analisam através de fotos como era o cabelo da pessoa antes da queda e é produzida uma réplica, para que a pessoa contemplada se identifique.

A associação de drogas ministradas ao longo da quimioterapia acaba gerando a perda de cabelo em alguns pacientes. Esteticamente, é uma das fases onde a doença é evidenciada socialmente, além de ser prejudicial na saúde psicológica do paciente. Apesar de não ter função fisiológica, o resgate de uma das características da pessoa exige bastante cuidado, para que o jovem sinta que, de fato, o cabelo está combinando.

Responsabilidade

“A criança quando se vê com o cabelo tem a sua autoestima de volta. Toda criança gosta de passar a mão no cabelo. Já é comprovado que a autoestima durante o tratamento faz muito bem. Nós tivemos hoje aqui pela manhã a doação de perucas de vários tamanhos. Doar cabelo é uma responsabilidade muito grande”, afirma Luiz Crispim.

A mãe de Lia, Carma Amélia Sales, ressaltou que a ação animou de imediato a garota. “Ela veio para a consulta e viu as amigas com o cabelo, aí resolveu colocar também”.

Fonte: Diário do Nordeste

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